terça-feira, 31 de janeiro de 2012

V.I.P

Era uma vez um homem muito prepotente. Se achava o tal. A cereja do bolo. Para ele todas as portas deveriam se abrir.

Detetava filas e odiava fazer o que a maioria das pessoas fazia. Queria o privilégio, o diferencial, ser VIP.

Um dia estava caminhando na rua e percebeu uma grande fila poucos metros adiante. Aquilo chamou sua atenção e foi correndo averiguar.

Obviamente não ficou na fila. Nem suportaria. Aquelas pessoas estavam todas pingando de suor por causa do sol rachante. Logo tratou de disfarçar, fingindo que conversava ao celular ao passo que se encaminhava para os primeiros lugares da fila.

- Ei, o amigo não pode ficar aqui não. Vai lá trás.
- Ora, deixe disso. Eu lhe pago 50 reais, que lhe parece? Uma boa quantia não é? Ganhar dinheiro assim de graça não é todo dia certo?
- Se o amigo deseja tanto passar na frente, pode ir. Não precisa pagar não.

Assim aquele homem furou a fila, orgulhoso de si. Logo a porta diante dele se abriu e uma mulher vestida de branco avisou:

- O próximo para tomar a injeção, pode entrar.

Interrogatório

Agora no começo de fevereiro irá estrear a peça de teatro Interrogatório. As apresentações irão ocorrer na Fundação Cultural de Blumenau, de 01 a 05 de fevereiro (quarta até domingo) no horário das 20h30. O valor é R$14,00 (inteira) e R$7,00 (estudantes e pessoas acima de 60 anos).

Interrogatório é um projeto aprovado pelo Fundo Municipal de Cultura de Blumenau. O texto é de minha autoria e eu sou um dos atores também. Na peça eu atuo junto com a atriz Suellen Junkes. A direção da peça é do diretor convidado Victor Hugo Carvalho de Oliveira (Cia SinoS de Teatro).

O nome do grupo é Avesso Teatro Experimental. Criamos este grupo para a peça. Até agora fizemos 01 apresentação na Casa São Simeão. Foi muito bom e os senhores que estavam lá gostaram bastante e deram conselhos também.

A peça gira em torno do general alemão da 2ª Guerra Mundial Curt von Hertz. Ele está acompanhado de alguém que pensa ser um soldado. Ao longo da peça, mudanças vão acontecendo, ele interroga e é interrogado. Verdades são escancaradas, revelações surgem, as máscaras caem.

Para saber mais, é só assistir!

Ano novo

Estamos com um ano novo e no último dia de janeiro. Tem sido um bom ano até aqui.
Vamos ver o que ele nos reserva daqui para frente.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Eu sou a Lenda

Recentemente li um livro chamado Eu sou a Lenda. Interessante a narrativa. Mas o autor poderia explorar melhor algumas situações da trama.

Bom, de qualquer modo o livro prende a atenção.

Tem uma frase no livro, que eu achei muito boa. É mais ou menos assim:

Em algum momento, um estado de tristeza muito grande passa, porque a pessoa cansa de sentir isso, cansa de chorar e busca outros pensamentos.

Gostei da frase. É verdade isso. Não sei se para todos é assim. Mas comigo funciona desse jeito.

Verão e Calor

Chegou o verão. E chegou o calor. Aqui em Blumenau está bem quente por esses dias.
Bate uma saudade da praia, da brisa, do mar, picolé de limão, castelos de areia, barco para remar...

Mas por enquanto estou em Blumenau - não tem mar nem brisa, nem castelo de areia nem barco para remar. Mas tem picolé de limão! Já é um começo. E tem rio pelas redondezas.

Tomar um banho de rio num dia de muito calor é muito bom. A água é estupidamente gelada mesmo num dia super quente. Vale a pena, com ou sem companhia.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Conto de 1 Página

João era um cara bom. Bom demais. Tão bom que as pessoas não aguentavam ficar perto dele. Não via defeitos em ninguém, não mentia, não fazia fofoca... Muito bonzinho.

Um belo dia, João tropeçou e bateu com a testa no chão, em cima de uma pedra pontuda. O sangue brotou de seu rosto e pingava pelo chão, misturado com as lágrimas, já que ele chorou de dor por causa da distração e vociferou contra a triste pedra que ficou no seu caminho. Lançou para o alto um grande palavrão - pelo menos era grande para ele. Aquele gesto de fúria chocou a opinião pública da cidade; os jornais não pararam de escrever sobre isso; um repórter chegou a fazer uma entrevista exclusiva com João para buscar os motivos daquele ataque de fúria, aumentando ainda mais a violência; um padre foi até ele exortar para que retornasse ao bom caminho, afinal João era bom; pessoas passaram a ignorá-lo (já o faziam antes, agora apenas com mais veemência).

Pobre João, era bom demais, tão bom que se viu obrigado a mudar de cidade. A população não aguentou aquele palavrão proferido num ato de fúria. João não merecia o palavrão e o palavrão não merecia João. E por conseguinte, a cidade não merecia João e João não merecia a cidade.

As pessoas viram o óbvio: João não era bom, era apenas uma pessoa discreta. Ou pelo menos elas preferiram acreditar assim e puderam dormir sossegadas, depois que João foi embora; porque agora elas não precisavam se sentir culpadas por causa do menosprezo que nutriam por ele.

Pobre João. Mas outra cidade haverá de gostar dele. Principalmente se for sem pedras pontudas no meio do caminho.

Borboleta

Ontem vi uma borboleta.
Já foi uma lagarta.
E antes não era nada.

Ora, se o nada virou borboleta,
O que eu posso me tornar?

Se já sou alguma coisa,
Não muito é verdade,
Porém, mais do que o nada?!

Sem falsas modéstias
Ou orgulhos infundados
Já sou alguma coisa sim.

Tenho certeza disso.
Minha mãe me disse
E minha esposa não me deixa mentir.

A borboleta é graciosa,
Bela e suave
- Um convite à reflexão e à beleza.

Eu posso ser assim também,
Basta sair do nada, tornar-me lagarta
E virar uma borboleta.