quinta-feira, 27 de abril de 2017

Preciosidade do Arquivo Histórico

O Arquivo Histórico Municipal Theobaldo Costa Jamundá guarda muitos materiais antigos, relevantes para contar a história do Município de Indaial. Dentre esses materiais, existem alguns que por sua raridade ou mesmo características chamam a atenção. Por exemplo, no Arquivo Histórico existe uma cópia em DVD com a filmagem da inauguração da Ponte dos Arcos Emílio Baumgart, ocorrida no dia 10 de outubro de 1926. Esta filmagem foi realizada na época por um senhor chamado José Julianelli, italiano e um dos pioneiros do cinema em Santa Catarina, juntamente com Alfredo Baumgarten que também esteve presente na inauguração e também fez uma filmagem, mas o Arquivo Histórico possui somente o trabalho de Julianelli. Nesta filmagem, é possível observar muitos detalhes: o filme é mudo e preto e branco. Uma música foi acrescentada de fundo. Aparecem muitas autoridades, como empresários, políticos, juízes. O dia 26 de outubro foi um domingo muitas pessoas acorreram para a solenidade. Famílias inteiras, mulheres, jovens, crianças, todos com suas melhores roupas. As mulheres com cabelo bem curtinho, a moda da época. Jovens de paletó e gravata. Numa das cenas aparece um calhambeque passando pela ponte. A Ponte dos Arcos foi muito importante, porque a travessia do Rio Itajaí-Açu era feito por balsa e canoas, o que dificultava a passagem de mercadorias e pessoas, pois se levava muito tempo. Como Indaial estava crescendo, a Ponte era mais do que necessária. E na filmagem é possível perceber isso. A alegria das pessoas presentes. Em outra cena aparece também o escafandrista, mergulhador naqueles tempos e que ajudou nos trabalhos de assentamento da ponte. Ao final, houve uma competição de remo com competidores vindos de Blumenau. Venha ao Arquivo ver o filme!

Luiz Cláudio Altenburg

Jornal O Indaialense, Nº07 abril de 2017
O PODER DE UMA FOTOGRAFIA


Durante esses noves anos em que trabalho no Arquivo Histórico Municipal Theobaldo Costa Jamundá, tive a oportunidade de presenciar histórias emocionantes. Uma delas eu compartilho hoje aqui nesta coluna. Um senhor, que não identificarei o nome, certa vez procurou o Arquivo Histórico em busca de uma foto da casa de seus pais. Era também a casa em que cresceu, passou a infância e que não existe mais. Os seus pais também eram falecidos. E ele queria ver uma foto dessa casa. Fui procurar e acabei encontrando, conforme a descrição dada por ele. Entreguei em suas mãos. Imediatamente ele levou um susto, percebi pelo seu semblante, e seus olhos encheram de lágrimas. Essa imagem eu retenho em minha memória, um dos momentos mais belos que presenciei no exercício de minha profissão. Aquele homem, ao ver uma foto antiga de sua casa, emocionou-se. Emocionou-se porque ela não existe mais. Porque os seus pais já não estão mais por aqui. Entretanto – e esse é o motivo do título desta coluna – através de uma simples fotografia, quantas lembranças ele recordou naquele momento? Pude apenas imaginar a saudade que ele teve daquela casa, seu antigo lar, e dos seus pais. O poder da fotografia... No Arquivo Histórico onde trabalho é comum termos fotos assim: de lugares que não mais existem, de pessoas que já faleceram, de momentos que não se repetiram. E eles estão guardados na forma de fotos. Estão à disposição de quem queria olhar, pesquisar, conhecer um pouco mais da história. E muitas dessas imagens foram doadas pela comunidade indaialense. Para encerrar, faço um pedido: quem possui fotos antigas, não as chame de velhas e sem valor. Guarde-as com carinho, pois são o registro de um tempo, de pessoas, de lugares que mudaram muito ou não existem mais nos dias de hoje.  

Luiz Cláudio Altenburg
Jornal O Indaialense, Nº05, 30 de março de 2017

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Bilhete

TAVINHO,

OBRIGADA PELA SUA AMIZADE DESSES DOIS ANOS E MEIO. DECIDI QUE É MELHOR ASSIM, IR EMBORA, SEM UMA DESPEDIDA OLHO NO OLHO. NÃO SOU BOA COM DESPEDIDAS. PELO MENOS NÃO COM AS PESSOAS QUE GOSTO.

OBRIGADA PELA AJUDA COM AS MATÉRIAS TODAS: MATEMÁTICA, FÍSICA, QUÍMICA, ISSO NÃO É PRA MIM, TALVEZ NUMA PRÓXIMA VIDA EU ENTENDA ISSO. MAS, OBRIGADO POR TENTAR MESMO ASSIM. CONFESSO QUE O ABISMO QUE ME SEPARA DESSAS DISCIPLINAS DIMINUIU UNS DOIS CENTÍMETROS COM O SEU TRABALHO. :)

FALANDO SÉRIO, OBRIGADA POR TUDO. PELOS ABRAÇOS INESPERADOS. PELAS MORDIDAS NO PESCOÇO, NÃO TANTO PELAS MARCAS, MAS SIM PELO INUSITADO. PELOS CHOCOLATES, AS DISCUSSÕES SOBRE FILMES, SERIADOS.

OBRIGADA PELO APOIO NAS HORAS DIFÍCEIS. POR ENTENDER QUANDO PRECISAVA DE SILÊNCIO, E QUANDO PRECISAVA DE AGITAÇÃO. E POR SER O OPOSTO DE TUDO ISSO, POR ME TRAZER SANIDADE, OU POR ME DEIXAR LOUCA.

DE FATO MINHA VIDA MUDOU. OS CIGARROS PERDERAM A GRAÇA, OS FILMES DE TERROR NÃO INTERESSAM MAIS. PASSEI A SIMPATIZAR COM O TEATRO, A FILOSOFIA, ANDAR NA CHUVA, PEGAR A BIKE E SAIR SEM RUMO DEFINIDO.

OBRIGADA POR MOSTRAR QUE A VIDA NÃO PRECISA TER UM RUMO DEFINIDO, QUE EU POSSO SER QUEM EU QUERO, INDEPENDENTE DE TER ALGUÉM OLHANDO. QUE AS CRÍTICAS SÃO DOS OUTROS E DOS VALORES MORAIS DOS OUTROS. EU NÃO TENHO NADA A VER COM ISSO. CADA UM CUIDE DE SI. OBRIGADA, OBRIGADA, OBRIGADA.

BEM, ESTOU CUIDANDO DE MIM TAVINHO. DE VERDADE. E POR ISSO PRECISO PARTIR. NÃO É NADA CONTRA VOCÊ. NADA PESSOAL. DESEJO SINCERAMENTE SOMENTE COISAS BOAS PRA TI. SEMPRE LEMBRAREI DE NOSSO TEMPO JUNTOS. ALIÁS, PODEREMOS NOS FALAR. SENTIREI FALTA DA SUA VOZ E DO SEU JEITO ENGRAÇADO E CERTAMENTE CONVERSAREMOS.

PRECISO IR. SE PENSAR DEMAIS NÃO IREI EMBORA.

ESTOU SAINDO DA SUA VIDA, MAS LEVO VOCÊ COMIGO.

BEIJOS TAVINHO

CRIS

Sem demora

Ela chegou. De mansinho. Calmamente, os passos calculados.
Olhou para o seu alvo. O caminhar era lento, quase insipiente, como se desistisse de continuar caminhando, como se houvesse um receio dentro dela, como se estivesse em dúvida.

Mesmo assim prosseguia no seu intento. Adorava fazer isso na verdade. Deixar os observadores de plantão se questionando sobre o propósito de tudo aquilo.

Era quase um show particular.

Assim, de repente, estacou. A aparente indecisão deu uma guinada para uma decisão resoluta!

Observava o seu alvo. E era observada ao mesmo tempo.

Depois de um tempo (minutos? horas?) desistiu da empreitada.

Sua dona havia enchido o potinho de ração.

O rato viveria mais um dia.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Ficção versus Realidade

- Clarêncio.
- O que é mãe?
- Saia da frente da TV. Faça algo lá fora. O mundo não está dentro desse aparelho.
- Mas eu gosto da TV, do que ela mostra, dos sons, das imagens, do colorido.
- O mundo é tão colorido quanto essa TV.
- Ah mãe, só mais um pouco!
- Não. chega.

DESLIGOU A TV.

- Vai ficar aí emburrado?
- Ora, vou sim! A menos que...
- A menos que o quê?
- Que você me mostre o mundo colorido! Você não disse que ele é melhor?
- Oh céus! Está bem. Hoje de tarde sairemos e vou lhe mostrar o mundo.
- Tão colorido quanto a TV?
- Tão colorido quanto a TV!

SAÍRAM DE CASA NAQUELA TARDE. NUNCA MAIS VOLTARAM. A MÃE LARGOU O EMPREGO E SE MUDOU COM O FILHO PARA OUTRO PAÍS, OU MELHOR, VIAJARAM DE PAÍS EM PAÍS, CONHECENDO A BELEZA E A NATUREZA DE CADA REGIÃO, TENDO VIVÊNCIAS ÚNICAS.

O FILHO NUNCA MAIS LIGOU UMA TV.

Luz



Surgiu a Luz
Iluminando e dissipando as sombras
A escuridão não suportou os primeiros raios
Desaparecendo por completo

Veio a Luz 
Abrindo os olhos da criança 
que habitava no corpo do adulto

Alimentando a esperança 
Mitigando a fome
Dissolvendo a ignorância

Luz
Lux
Light 
Licht
Muitos nomes
O mesmo significado

Veio a Luz
Clareando a consciência

Não irá embora
Porque a consciência está desperta

Abrigo a Luz
Acolho com minhas mãos, olfato, visão e os demais sentidos
Ela faz parte de mim
Eu sou Luz

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

O Tempero

- Que delícia de comida. Você está de parabéns. 

- Obrigada. 

- Qual o segredo? 

- Segredo? Não há. São anos de prática fazendo uma comidinha gostosa para minha família. 

- Hã, é mesmo? 

- Sim. O que houve? 

- Sua resposta foi meio pronta, assim, na ponta da língua. Aposto que você fala isso para todos. 

- Hum. Entendo. Você quer uma resposta sincera, elaborada? 

- Sim, de preferência. 

(Um momento de silêncio). 

- Muito bem. Lá vai. Na realidade eu sofro bastante. Com as constantes brigas aqui em casa. Fico triste de não conseguir apaziguar os ânimos exaltados aqui em casa. Na maioria das vezes não é comigo, mas eu sinto os golpes. Então fazer comida é uma forma para me distrair um pouco. Imagino, ao preparar uma refeição, que dias melhores virão aqui nessa casa. E assim vou preparando e a comida vai dando certo. Por vezes choro enquanto cozinho. É até possível que o sal de alguns dos meus pratos foi fornecido pelas minhas lágrimas. 

- Nossa... não imaginava...

- O que achou de minha resposta. Ficou do seu agrado? Foi elaborada e sincera o suficiente para o seu gosto? 

- F-foi. 

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