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Um Domingo Qualquer

- Alô? - Felipe? - Oi Vera. Fala. - Tá tudo bem? Tô te achando meio desanimado. - Tudo bem sim. Por quê? - É que você não saiu na sexta-feira. A gente ficou te esperando. Você disse que iria. - Não fiquei com vontade. Não sei. Eu... - Felipe. Eu te conheço tem tempo. O que foi? - Tô ocupado agora. - Fazendo? - Olha Vera, não me leve a mal, mas não estou com vontade de falar. - Eu sou sua amiga. - Sim. - O que é? - Estou desanimado. Muito. Muito mesmo. Além da conta. - Tá. Se arrume então. - Por quê? - Eu e o Carlinhos vamos passar aí para te pegar. - E fazer o quê? Ah não. Eu não estou a fim de sair. - Vai sim! E acho bom abrir a porta quando a gente chegar. Não, melhor. Fique esperando a gente na calçada, aí você pula no carro. - Vera, hoje é domingo. - Então. É o dia internacional do passeio com a melhor amiga! - Não. É o dia internacional de ficar sem fazer nada. - Negativo. - Vera, eu não quero! - Só um momento. – Carlinhos, já se...

Dicas para Escrever (Por Luiz Cláudio Altenburg)

1) Escreva ouvindo música. Pode ser uma bela trilha sonora de um filme, ou a música que está tocando na rádio no momento em que você escreve ou digita algumas linhas. Se for uma música que lhe toque o coração, tanto melhor. Assim a escrita fluirá e você não precisará se preocupar de onde tirar ideias para escrever. A própria música se encarregará disso. Por exemplo, eu nesse momento estou escrevendo ouvindo Paradise, do Coldplay. É uma música que levanta o meu astral, uma belíssima canção do século XXI. Sinto-me bem ao ouvir esta canção e assim, a escrita vai empolgando, empolgando. Numa época onde o pessimismo parece ganhar terreno nas mentes e nos corações das pessoas, escolher uma boa música como pano de fundo para escrever parece quase imprescindível. Porque é cada vez mais urgente e necessário a música de qualidade e a escrita de qualidade. Por que não aliar os dois?

O Bondoso João

João era um cara bom. Bom demais. Tão bom que as pessoas não aguentavam ficar perto dele. Não via defeitos em ninguém, não mentia, não fazia fofoca... Muito bonzinho. Um belo dia, João tropeçou e bateu com a testa no chão, em cima de uma pedra pontuda. O sangue brotou de seu rosto e pingava pelo chão, misturado com as lágrimas, já que ele chorou de dor por causa da distração e vociferou contra a triste pedra que ficou no seu caminho. Lançou para o alto um grande palavrão - pelo menos era grande para ele. Aquele gesto de fúria chocou a opinião pública da cidade; os jornais não pararam de escrever sobre isso; um repórter chegou a fazer uma entrevista exclusiva com João para buscar os motivos daquele ataque de fúria, explorando ainda mais a violência; um padre foi até ele exortar para que retornasse ao bom caminho, afinal João era bom; pessoas passaram a ignorá-lo (já o faziam antes, agora apenas com mais veemência). Pobre João era bom demais, tão bom que se viu obrigado a mudar de ci...

A Insuficiência de Joel

Joel fugiu de casa porque se achava autossuficiente. Logo na primeira esquina, pediu informações. Maio de 2012

Na Montanha Fria e Escura

Na montanha fria e escura Um vento gelado cortava os corações de seres que não tinham outra escolha Além de se aquecerem mutuamente Cobertos de neve,umidade e desespero Homens e mulheres choravam copiosamente Crianças balançavam mãozinhas trêmulas Em busca de um alimento inexistente Debalde dedos em riste Procuravam culpados Acusando líderes, a má sorte, os deuses Até mesmo a montanha era a causadora de todos os males Entretanto, um deles Mais velho, taciturno e arredio Foi solicitado a se expor E ele disse: Pois que! Culpam todas as coisas. Mas nos dias quentes de verão Ninguém se lembrou de guardar víveres Nem de estocar lenha seca Nas tardes amenas da primavera Quando casais desabrochavam com as flores Quem de nós soube pensar no inverno Que ainda estava longe? Eis agora nossa realidade: Pagamos caro por essa afronta Pagaremos com nossas próprias vidas Aos deuses não podemos nos queixar Fomos dotados de braços e pernas Vistas boas e ouvidos bons ...

Rapaz suburbano, trinta e poucos anos, almejando sucesso

Não tenho vocação para a poesia. Minha vida é feita de concreto e gravatas formatadas Não sei o valor do riso sincero Conheço apenas as gargalhadas pasteurizadas Fujo de tudo que me faça olhar para o meu eu interior Fico vagando copiando a inveja dos outros e para os outros Olhar um monte verde, uma paisagem de tirar o fôlego? Prefiro filmá-las e gravá-las no exato momento, Para depois reproduzí-las ad nauseam na TV de trocentas polegadas Não tenho amigos verdadeiros Apenas colegas de trabalho, co-workers. Não consigo apreciar uma boa refeição Meu paladar está no modo repeat e escolhe as mesmas coisas sempre Por tudo isso, tento ser alguma coisa. Mas ainda estou longe, distante de tudo.

Vácuo

De que vale a pena fria encostada na esquina de uma gaveta suja? Onde o impulso para aquecê-la na forma de palavras gravadas no papel? Há de se sair da indolência e do marasmo paralisante Para enfim preencher o tempo com as ideias 03/04/2013