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Na Montanha Fria e Escura

Na montanha fria e escura Um vento gelado cortava os corações de seres que não tinham outra escolha Além de se aquecerem mutuamente Cobertos de neve,umidade e desespero Homens e mulheres choravam copiosamente Crianças balançavam mãozinhas trêmulas Em busca de um alimento inexistente Debalde dedos em riste Procuravam culpados Acusando líderes, a má sorte, os deuses Até mesmo a montanha era a causadora de todos os males Entretanto, um deles Mais velho, taciturno e arredio Foi solicitado a se expor E ele disse: Pois que! Culpam todas as coisas. Mas nos dias quentes de verão Ninguém se lembrou de guardar víveres Nem de estocar lenha seca Nas tardes amenas da primavera Quando casais desabrochavam com as flores Quem de nós soube pensar no inverno Que ainda estava longe? Eis agora nossa realidade: Pagamos caro por essa afronta Pagaremos com nossas próprias vidas Aos deuses não podemos nos queixar Fomos dotados de braços e pernas Vistas boas e ouvidos bons ...

Rapaz suburbano, trinta e poucos anos, almejando sucesso

Não tenho vocação para a poesia. Minha vida é feita de concreto e gravatas formatadas Não sei o valor do riso sincero Conheço apenas as gargalhadas pasteurizadas Fujo de tudo que me faça olhar para o meu eu interior Fico vagando copiando a inveja dos outros e para os outros Olhar um monte verde, uma paisagem de tirar o fôlego? Prefiro filmá-las e gravá-las no exato momento, Para depois reproduzí-las ad nauseam na TV de trocentas polegadas Não tenho amigos verdadeiros Apenas colegas de trabalho, co-workers. Não consigo apreciar uma boa refeição Meu paladar está no modo repeat e escolhe as mesmas coisas sempre Por tudo isso, tento ser alguma coisa. Mas ainda estou longe, distante de tudo.

Vácuo

De que vale a pena fria encostada na esquina de uma gaveta suja? Onde o impulso para aquecê-la na forma de palavras gravadas no papel? Há de se sair da indolência e do marasmo paralisante Para enfim preencher o tempo com as ideias 03/04/2013

Coisas do Coração

Penso que é uma fonte de inspiração poder escrever sobre um relacionamento - para os escritores que quiserem se aventurar em escrever sobre aventuras amorosas. Ou o assunto pode ser a falta de alguém, ou um romance que tinha tudo para dar certo e não deu, ou ainda sobre erros cometidos e arrependimentos. Vale a pena.

Fonte de Inspiração

O que te move? Já li uma vez que as pessoas sobreviveriam a tudo, menos a uma falta de objetivo. Nessa falta de objetivo, podemos colocar em outras palavras: uma fonte de inspiração.

Schopenhauer

Em todos os tempos, há duas literaturas que caminham lado a lado, praticamente alheias uma à outra: uma verdadeira e uma apenas aparente. A primeira se desenvolve até se tornar uma literatura duradoura. Feita por gente que vive para a ciência ou a poesia, segue seu caminho com seriedade e tranquilidade, mas de maneira extremamente lenta, produzindo na Europa pouco mais de uma dúzia de obras no século, obras que todavia permanecem. A segunda, feita por gente que vive da ciência ou da poesia, segue a galope, sob grande estardalhaço e balbúrdia dos participantes, trazendo muitos milhares de obras para o mercado a cada ano. Contudo, poucos anos depois nos perguntamentos onde elas estão, onde foi parar sua fama tão prematura e ruidosa. Assim, é possível designar essa literatura como passageira e a outra como permanente. Schopenhauer, Arthur. A Arte de Escrever. Porto Alegre: L&PM, 2012, págs-134-135.

Diálogo Possível

-Rolland, o que você está lendo? - Ora, o que diabos eu estaria lendo? Como se atreve a perguntar isso! Nunca, na minha vida eu deixei de ler a mesma revista semanal. E agora pergunta o que estou lendo? Ou é cego ou muito estúpido. Ou os dois. - Alfredo, pegue os seus óculos. E tome o seu remédio. Diacho, já é a terceira vez que me pergunta isso hoje homem! Eu sempre leio a mesma revista semanal. - Rolland, o seu remédio é que não está surtindo efeito. Isso é um jornal. J-O-R-N-A-L!