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Rapaz suburbano, trinta e poucos anos, almejando sucesso

Não tenho vocação para a poesia. Minha vida é feita de concreto e gravatas formatadas Não sei o valor do riso sincero Conheço apenas as gargalhadas pasteurizadas Fujo de tudo que me faça olhar para o meu eu interior Fico vagando copiando a inveja dos outros e para os outros Olhar um monte verde, uma paisagem de tirar o fôlego? Prefiro filmá-las e gravá-las no exato momento, Para depois reproduzí-las ad nauseam na TV de trocentas polegadas Não tenho amigos verdadeiros Apenas colegas de trabalho, co-workers. Não consigo apreciar uma boa refeição Meu paladar está no modo repeat e escolhe as mesmas coisas sempre Por tudo isso, tento ser alguma coisa. Mas ainda estou longe, distante de tudo.

Vácuo

De que vale a pena fria encostada na esquina de uma gaveta suja? Onde o impulso para aquecê-la na forma de palavras gravadas no papel? Há de se sair da indolência e do marasmo paralisante Para enfim preencher o tempo com as ideias 03/04/2013

Coisas do Coração

Penso que é uma fonte de inspiração poder escrever sobre um relacionamento - para os escritores que quiserem se aventurar em escrever sobre aventuras amorosas. Ou o assunto pode ser a falta de alguém, ou um romance que tinha tudo para dar certo e não deu, ou ainda sobre erros cometidos e arrependimentos. Vale a pena.

Fonte de Inspiração

O que te move? Já li uma vez que as pessoas sobreviveriam a tudo, menos a uma falta de objetivo. Nessa falta de objetivo, podemos colocar em outras palavras: uma fonte de inspiração.

Schopenhauer

Em todos os tempos, há duas literaturas que caminham lado a lado, praticamente alheias uma à outra: uma verdadeira e uma apenas aparente. A primeira se desenvolve até se tornar uma literatura duradoura. Feita por gente que vive para a ciência ou a poesia, segue seu caminho com seriedade e tranquilidade, mas de maneira extremamente lenta, produzindo na Europa pouco mais de uma dúzia de obras no século, obras que todavia permanecem. A segunda, feita por gente que vive da ciência ou da poesia, segue a galope, sob grande estardalhaço e balbúrdia dos participantes, trazendo muitos milhares de obras para o mercado a cada ano. Contudo, poucos anos depois nos perguntamentos onde elas estão, onde foi parar sua fama tão prematura e ruidosa. Assim, é possível designar essa literatura como passageira e a outra como permanente. Schopenhauer, Arthur. A Arte de Escrever. Porto Alegre: L&PM, 2012, págs-134-135.

Diálogo Possível

-Rolland, o que você está lendo? - Ora, o que diabos eu estaria lendo? Como se atreve a perguntar isso! Nunca, na minha vida eu deixei de ler a mesma revista semanal. E agora pergunta o que estou lendo? Ou é cego ou muito estúpido. Ou os dois. - Alfredo, pegue os seus óculos. E tome o seu remédio. Diacho, já é a terceira vez que me pergunta isso hoje homem! Eu sempre leio a mesma revista semanal. - Rolland, o seu remédio é que não está surtindo efeito. Isso é um jornal. J-O-R-N-A-L!

Stuck in the Bathroom

Andressa estava vestida de ursa panda. Era para ser uma festa a fantasia sensacional. A melhor de todas. Depositei todas as minhas fichas nessa festa e os níveis de ansiedade estavam altíssimos. Eu fui de pirata. Ok admito é uma fantasia bem clichê, bem senso comum, mas igualmente barata e acessível - dois adjetivos que caíram bem no meu bolso. Andressa já vinha me dando umas cantadas fazia um tempinho. Primeiramente os olhares - e que olhares! - depois conversas informais e casuais sobre qualquer assunto que viesse a mente, seguidos dos recreios compartilhados, trocas de telefones, e-mails e perfis de facebooks,culminando com um convite para a festa a fantasia na casa do Rafa. A festa era o de menos. Na verdade nem tão de menos assim, era essencial, mas acessória ao mesmo tempo: essencial porque era ali que eu poderia ficar com a Andressa, e acessória porque todo o resto poderia parar no tempo ou estourar como bolhas de sabão. Eis que na hora marcada, estávamos eu e ela, um ...